domingo, 14 de abril de 2013

DORES DO PARTO


O Senhor Jesus compara a vida dos seus discípulos a uma gestação... dolorosa, mas, ao mesmo tempo, cheia de alegre expectativa:
"Em verdade, em verdade, vos digo: chorareis e vos lamentareis, mas o mundo se alegrará. Vós vos entristecereis, mas a vossa tristeza se transformará em alegria. Quando a mulher está para dar à luz, entristece-se porque a sua hora chegou; quando, porém, dá à luz a criança, ela já não se lembra dos sofrimentos, pela alegria de ter vindo ao mundo um homem" (Jo 16,20s).
Jesus refere-se à alegria vazia que pode afetar certos setores da sociedade. Os cristãos não a compartilham para ser fiéis a Deus. Por este motivo podem parecer, ou mesmo sentir-se, tristes.
Que gestação é essa? Responde o Apóstolo: é o formar-se Cristo em nós (cf. Gl 4,19). Com efeito, um gérmen de filiação divina existe em todo cristão desde o Batismo; tende a desenvolver-se até atingir a estatura da plenitude de Cristo (cf. Ef 4,13). Uma vez terminado tal processo, a tristeza se converte em alegria,... a alegria de uma vida levada às duas dimensões rematadas, alegria que ninguém pode arrebatar.
A imagem utilizada pelo Senhor Jesus sugere reflexões:
A vida cristã é ambígua, paradoxal e, por isto, também misteriosa. Sim; por baixo dos véus da fragilidade humana, mortal, encontra-se algo de imortal, uma vida chamada a vencer a precariedade e transfigurá-la. São Paulo diria: trata-se de um vaso de argila portador de imenso tesouro (cf. 2Cor 4,7). A tristeza é prenhe de alegria; a imortalidade é o invólucro da vida mortal. Por isto, o cristão nunca se abate; não existe em seu vocabulário o termo "desânimo"; mesmo nas horas mais aflitivas, ele se lembra de que suas dores são dores de uma gestação e de um parto; quanto mais dolorido é este, tanto mais promissor de fecundidade.
A Sagrada Escritura recorre frequentemente à imagem das dores de parto, a fim de significar a instauração do Reino de Deus; cf. Mt 24,8; 1Ts 5,3; Rm 8,22. Em Ap 12,1-17 uma mulher fulgurante e bela sofre as dores de parto e dá à luz um filho que é o Messias (a Mulher, no caso, é Maria SSma.); depois continua sua obra genitora no deserto, onde é acometida pelo Dragão, que procura abocanhar os outros filhos da Mulher (que, no caso, é a Santa Mãe Igreja). Pois bem, todo cristão é uma microecclesiae (uma Igreja em miniatura), de modo que participa, em sua pessoa, da função maternal da Mulher "Maria-Igreja"; ele forma o Cristo em si, fazendo que o velho homem ceda espaço ao novo homem ou ao segundo Adão. Aliás, diz o Senhor Jesus: "Todo aquele que faz a vontade de meu Pai, este é meu irmão, minha irmã, minha mãe" (Mt 12,50); participa assim, a seu modo, da maternidade singular e modelar de Maria SSma.
Convém lembrar estas verdades no começo de novo ano, que traz seus desafios. Escreve o Apóstolo, consciente do paradoxo da sua existência: "Vivemos como tristes e, não obstante, sempre alegres; como indigentes e, não obstante, enriquecendo a muitos; como nada tendo, embora tudo possuamos" (2Cor 6,10).

NOVO RUMO


O tempo oportuno

Aos 13 de fevereiro tem início o tempo da Quaresma, que tem seu termo final no domingo de Páscoa 31/03. É este o período mais santo do ano ou, como dizem os mestres de espiritualidade, o período-padrão da vida cristã. Com efeito, esta consiste em viver o Batismo e a Eucaristia, ou seja, em participar da morte de Cristo para o pecado e da ressurreição do Senhor para uma vida nova: o cristão se transfere diariamente do velho homem para o homem novo (cf. Ef 4,22-24; 2Cor 5,17) até estar plenamente configurado a Cristo no dia em que seu corpo for ressuscitado à semelhança do corpo de Jesus (cf. Fl 3,20s). Ora, o tempo da Quaresma põe ante os olhos do cristão este programa de modo muito enfático, convidando-o a associar a sua cruz cotidiana à cruz gloriosa do Senhor Jesus.
Quaresma assim entendida é “tempo oportuno” (2Cor 6,2), é graça especial de Deus, que espera dos seus fiéis uma conversão cada vez mais coerente. Aliás, as Escrituras se referem não raro à paciência de Deus, que concede aos homens novos e novos prazos para que realizem mais radicalmente a sua conversão tantas vezes adiada ou superficialmente praticada: “desprezas a riqueza da sua bondade, paciência e longanimidade, desconhecendo que a benignidade de Deus te convida à conversão?” (Rm 2,4; cf. 3,26; 2Pd 3,9). Considerando isto, o escritor cristão Tertuliano († 220 aproximadamente) dizia que Deus é o Modelo da paciência; é o Pai que mais sabe pacientar em relação a seus filhos.
O chamado à conversão ressoa neste ano num mundo agitado e inseguro. Que remédio lhe poderão levar os cristãos? – Sem dúvida, os recursos de ciência e técnica que possui... Mas muito mais ainda:  mais do que de qualquer outra coisa, o mundo precisa de santidade e de santos (cf. 2Pd 3,11s); este é o grande tesouro da humanidade, tesouro que é remédio para os males mais profundos. “Uma alma que se eleva, eleva o mundo inteiro”, dizia sabiamente Elizabeth Leseur. Dez justos teriam obtido a salvação de Sodoma e Gomorra, conforme Gn 18,22s. Ora Deus também hoje procura “dez justos” num mundo que Ele quer salvar.
Os fiéis católicos não podem deixar de perceber esse apelo... Apelo a que reflitam sobre a sua responsabilidade e assumam generosamente a sua vocação à santidade... Santidade que não é outra coisa senão a arte de saber dizer um Sim pronto e magnânimo a todos os sinais da vontade de Deus. “Se fizeres isto, serás salvo... e terás a alegria de, por graça de Cristo, salvar muitos irmãos!”


O ministério petrino

Quando dizemos em nossa Profissão de Fé “Creio na Santa Igreja Católica”, afirmamos que os bispos são os sucessores dos apóstolos e que seu chefe é o bispo de Roma, o Papa. Este artigo de fé precisa ser entendido e aprofundado para podermos perceber o real alcance dele. A missão do Romano Pontífice é a de servir a todos os fiéis, confirmando-os na fé verdadeira e reta e unindo-os no mesmo rebanho de Cristo.
São Pedro na Sagrada Escritura
Os livros do Novo Testamento foram escritos na segunda metade do século I d.C.. Eles são um testemunho escrito, com a assistência do Espirito Santo, da fé da Igreja Apostólica. Os Evangelhos nos revelam bem o destaque dado ao apóstolo Pedro. A razão para isto é sem dúvida a escolha que o Senhor fez de colocá-lo como pastor e guia de sua Igreja (Mt 16,13-20; Lc 22,31-34; Jo 21,15-19). O livro dos Atos dos Apóstolos nos mostra a figura de liderança que São Pedro exerceu na Igreja, deixando claro que Ele viveu de acordo com a vontade de Jesus (At 1,15-26; 2,14-41; 3,1-26; 4,1-22; 8,14-25; 9,31-43; 15,1-35...).
O martírio de São Pedro
Segundo a Tradição, o chefe da Igreja nascente foi martirizado na perseguição do Imperador Nero, entre os anos de 64 e 67. Ele teria morrido crucificado de cabeça para baixo, por seu próprio desejo, na capital do Império, a cidade de Roma. No lugar onde seu corpo foi enterrado surgiu um pequeno templo que se tornou lugar de peregrinação dos cristãos. No século IV, o Imperador Constantino mandou erguer um novo – a Basílica de São Pedro.  No século passado, as pesquisas arqueológicas realizadas no subsolo desta Basílica confirmou que o corpo do apóstolo está realmente enterrado lá.
A Primazia da Igreja de Roma
Alguns escritos cristãos antigos nos mostram a importância da Igreja de Roma e de seu Bispo para manter a unidade e decidir as questões de fé. A carta de São Clemente, Bispo de Roma, no final do século I, destaca a autoridade e o primado desta Igreja sobre as outras. Santo Inácio de Antioquia escreve à Igreja de Roma se dirigindo a ela como aquela que “preside à caridade”, sinalizando a preeminência desta. Por conta das questões da data da Páscoa, na metade do século II, o Bispo de Roma, São Vitor, por sua autoridade, foi quem definiu esta questão. Santo Irineu, no final do século II, no seu livro Contra as Heresias, afirma a autoridade romana e o seu papel de confirmar e guardar a doutrina.  
Por conta do trabalho missionário e do martírio de São Pedro e de São Paulo, a Igreja de Roma foi considerada aquela principal entre as outras. Ela recebeu a doutrina diretamente das duas grandes colunas da Fé cristã. Por isso, recebeu a missão de confirmar a fé e os costumes das outras comunidades a partir dos ensinamentos recebidos e guardados dos Apóstolos. Cada comunidade devia estar em consonância com a Igreja de Roma, pois esta era encarada como a medida da doutrina correta e genuína.
A sucessão do ministério
Santo Irineu, ainda no Contra as Heresias, legou uma lista com a sucessão dos Bispos de Roma, ou seja, os primeiros Papas. Segundo ele, Pedro e Paulo confiaram a Lino o ministério episcopal. Após Lino veio Anacleto, Clemente, Evaristo, Alexandre, Sisto, Telésforo, Higino, Pio, Aniceto, Sotero, Eleutério. Ora, já desde o século II ficou registrado o nome dos doze primeiros sucessores de São Pedro como sinal da importância desta cátedra. Assim, aparece o valor desta Igreja e de seu Bispo.
Ao longo da História da Igreja, nós já tivemos 263 sucessores de Pedro. Ele pode ser chamado de Papa (título carinhoso que remonta a palavra pai); Pontífice (por ser o representante máximo na terra do Povo de Deus); Servo dos servos (destacando que sua função é de serviço aos cristãos); Bispo de Roma (quem recebe a presidência da Igreja de Roma se torna o chefe da Igreja Universal); e, Vigário de Cristo (ele é o representante máximo de Cristo cabeça presidindo seu Corpo na terra).
As funçõs do Romano Pontífice
O Papa é a cabeça do Colégio Episcopal, o Vigário de Cristo e o Pastor da Igreja Universal. Ele é o representante de Cristo na terra. Cabe a ele colocar em prática tudo aquilo que o Senhor pediu. Ele exerce a função de ensinar o Povo de Deus e, para isto, goza da infalibilidade pessoal quando, em seu magistério extraordinário, define algo em matéria de fé e de moral. Além disto, ao seu magistério ordinário, apesar de não ser infalível, deve ser dado assentimento religioso da vontade e da razão. O Bispo de Roma é o perpétuo e visível princípio e fundamento da unidade da Igreja. É ele quem, ensinando a verdade, coloca a medida para todos os católicos. Se alguém ou algum grupo se coloca contra o Papa, se coloca contra a própria Igreja de Jesus Cristo.
Para aprofundar...
Indicamos a leitura do CIC, nos nos 874-896; do Compêndio do Catecismo, pergunta 182; do YouCat, perguntas 141 a 143; e, da Lumen Gentium, dos parágrafos 19 ao 27.

domingo, 4 de março de 2012

homem espetacular,apostolo de nosso SENHOR JESUS!

como os espíritas respiram aliaviados com sua partida......interceda por nós no céu santo frei boaventura kloppenburg



Bispo Dom Frei Boaventura KloppenburgNasceu em Molbergen em Oldenburg na Alemanha, no dia 02 de novembro de 1919. Emigrou para o Brasil em 1924. Formado

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

orientação para catolicos

Hoje a Maçonaria atrai muitos católicos, infelizmente, embora a Igreja proiba que nos tornemos maçons.
Com todo o respeito que devemos a cada pessoa, em face à sua opção, devemos contudo, lembrar aos que querem ser autenticamente católicos, que a filiação à Maçonaria é considerada pela Igreja Católica "pecado grave", já que as concepções de Deus e religião, assim como o processo de iniciação secreta imposto aos novos membros, não se coadunam com as noções do Cristianismo relativos a Deus e aos sacramentos, principalmente.
A Igreja tem uma posição oficial sobre o assunto, que foi feita pelo pronunciamento da Santa Sé em 26/11/1983, por ocasião da promulgação do atual Código de Direito Canônico pelo Papa João Paulo II.
Esta é a Declaração da Congregação para a Doutrina da Fé, que vem assinada pelo seu Prefeito, Cardeal Joseph Ratzinger e pelo Fr. Jérome Hamer, Secretário:
Tem-se perguntado se mudou o parecer da Igreja a respeito da Maçonaria pelo fato de que no novo Código de Direito Canônico, ela não vem expressamente mencionada como no código anterior.
Esta Sagrada Congregação quer responder que tal circunstância é devida a um critério redacional, seguido também quanto às outras associações igualmente não mencionadas, uma vez que estão compreendidas em categorias mais amplas.
Permanece, portanto, imutável o parecer negativo da Igreja a respeito das associações maçônicas, pois os seus princípios foram sempre considerados inconciliáveis com a doutrina da Igreja e, por isto, permanece proibida a inscrição nelas. Os fiéis que pertencem às associações maçônicas, estão em estado de pecado grave, e não podem aproximar´se da Sagrada Comunhão.
Não compete às autoridades eclesiásticas locais pronunciar-se sobre a natureza das associações maçônicas com um juízo que implique derrogação de quanto foi acima estabelecido, e isto segundo a mente da Declaração desta Sagrada Congregação de 17 de fevereiro de 1981 (cf. AAS 73, 1981, pp. 240s).
O Sumo Pontífice João Paulo II, durante a audiência concedida ao subscrito Cardeal Prefeito, aprovou a presente Declaração, definida em reunião ordinária desta Sagrada Congregação, e ordenou a sua publicação".
Roma, da Sede da Sagrada Congregação para a Doutrina da Fé, 26 de novembro de 1983.
É importante notar que a Declaração da Santa Sé afirma que "estão em estado de pecado grave, e não podem aproximar-se da Sagrada Comunhão". Isto é muito sério para os católicos. E é a palavra oficial da Igreja sobre a questão!
O número 386 da Revista "Pergunte e Responderemos", de autoria de D. Estevão Bittencourt, nas páginas 323 a 327, traz um elucidativo artigo sobre o assunto.
Neste artigo D. Estevão, de reconhecida seriedade e competência, teólogo renomado; afirma:
"A Maçonaria professa a concepção de Deus dita "deista", ou seja, a que a razão natural pode atingir; ´ admite "a religião na qual todos os homens estão de acordo, deixando a cada qual as suas opiniões particulares". Esta noção de Deus e de Religião é vaga e não condiz com o pensamente cristão, que reconhece Jesus Cristo e as grandes verdades por Ele reveladas".
"Além disto, tanto a Maçonaria Regular como a Irregular têm seu processo de iniciação secreta. Propõem o aperfeiçoamento ético do homem através da revelação de doutrinas reservadas a poucos e recebidas dos "grandes iniciados" do passado - entre os quais alguns maçons colocam o próprio Jesus Cristo. Celebram também ritos de índole "secreta ou esotérica", que vão sendo manifestados e aplicados aos membros novatos à medida que progridem nos graus de iniciação. "Ora um tal processo de formação contrasta com o que o Cristianismo professa: este não conhece verdades nem ritos reservados a poucos; nada tem de oculto ou esotérico".
Outra razão muito séria que D. Estevão levanta, para mostrar ao católico que não se faça maçom, é esta:
"Ademais, quem se filia a uma sociedade secreta, não pode prever o que lhe acontecerá, o que se lhe pedirá ou imporá; não sabe se lhe será fácil guardar sua liberdade de opções pessoais. Embora tencione manter fidelidade a seus princípios íntimos, pode-se ver em encruzilhadas constrangedoras".
Por outro lado, é preciso lembrar aos católicos que a fé e a doutrina da Igreja é insuperável e completa: herdada dos profetas e dos Apóstolos; revelada por Deus; confirmada pela Tradição dos Santos Padres, Doutores e Santos; confessada pelo sangue dos mártires e guardada pelo Sagrado Magistério. Não é preciso buscar "coisas novas" para alimentar o espírito, uma vez que o próprio Senhor nos oferece a sua Palavra e o seu próprio Corpo na Eucaristia.
O Santo Padre nos outorgou o Catecismo da Igreja Católica, de riqueza inefável, capaz de nos preparar para cumprir aquilo que São Pedro nos pede:
"Estai sempre prontos a responder para a vossa defesa a todo aquele que vos perguntar a razão da vossa esperança" (IPe 3,15).
Antes de buscarmos "coisas novas", e perigosas para a nossa vida espiritual, ou que põem em risco a nossa própria salvação eterna, vamos antes aprender o que devemos, no seio sagrado e puro da nossa Santa Mãe Igreja.
Além do mais é preciso lembrar que a principal virtude do católico é a obediência à Santa Igreja, chamada pelo Papa João XXIII, de Mater et Magistra (Mãe e Mestra).
Quem desejar compreender melhor as razões pelas quais a Igreja, como Mãe cautelosa, proibe os seus filhos de se associarem às lojas maçonicas, poderá ler o livro do Bispo de Novo Hamburgo, D. Boaventura kloppenburg, Igreja
Maçonaria, Ed. Vozes, 2a. Edição, 1995, ou ainda o livro do Bispo Auxiliar de Brasília, D.João Evangelista Martins Terra, sobre o mesmo assunto.
Infelizmente, em desobediência à Igreja, alguns no passado, até mesmo do clero, se associaram à Maçonaria, no intuito, às vezes, de serem úteis à sociedade, mas isto nunca foi permitido pela Igreja.




terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

MARIA SANTÍSSIMA

Maria disse: “Eis aqui a serva do Senhor!
Faça-se em mim segundo a tua palavra”
.
(Lc 1, 38)


Que é dogma?

Dogma é uma afirmação doutrinal precisa que a Igreja definiu de forma solene [ii], ou seja, é uma verdade revelada por Deus, definida pela Igreja Católica, mais precisamente pelo Magistério da Igreja, na qual se deve crer.

Neste caso, se diz que o Papa fala ex cathedra, isto é, como Pastor e Mestre dos cristãos, em virtude da autoridade suprema que tem como Vigário de Cristo e Cabeça Visível da Igreja. Nessa qualidade, goza de infalibilidade em matéria de fé e de costumes, bem como o corpo episcopal quando este exerce seu magistério em união com o Pontífice, sobretudo em um Concílio Ecumênico.

Assim, dogma é uma verdade absoluta e inquestionável, revelada por Deus, que não pode ser revogada, devendo todo católico aceitá-la, dar sua adesão irrevogável de fé, do contrário é considerado herege. Ensina o Catecismo da Igreja Católica (CIC) [iii] que:

O Magistério da Igreja empenha plenamente a autoridade que recebeu de Cristo quando define dogmas, isto é, quando utilizando uma forma que obriga o povo cristão a uma adesão irrevogável de fé, propõe verdades contidas na Revelação divina ou verdades que com estas têm uma conexão necessária. (CIC, 88)

De fato, os dogmas são como alimento na condução da vivência espiritual; são luzes que iluminam e apontam ao verdadeiro caminho: Deus.

A Igreja Católica proclama a existência de 43 dogmas, subdivididos em 8 categorias diferentes [iv], conforme se vê:

Dogmas sobre Deus
Dogmas sobre Jesus Cristo
Dogmas sobre a criação do mundo
Dogmas sobre o ser humano
Dogmas marianos
Dogmas sobre o Papa e a Igreja
Dogmas sobre os sacramentos
Dogmas sobre as últimas coisas (Escatologia)

Neste texto, farei uma breve análise sobre os Dogmas Marianos.

Dogmas marianos

Os Dogmas Marianos são verdades sobre a Virgem Maria, especificamente relacionados à sua missão e estão definidos em quatro: Maternidade Divina (Maria Mãe de Deus); Virgindade Perpétua; Imaculada Conceição; e Assunção.

1º Dogma: MATERNIDADE DIVINA = MARIA MÃE DE DEUS

Este Dogma foi solenemente proclamado pelo Concílio de Éfeso (3º ecumênico), em 431, fundamentado em Lc 1, 30-35; 41-43 e teve por finalidade definir a Maternidade divina de Maria. Durante o Concílio, a Virgem Maria recebeu o título de ‘Théotokos’ (Mãe de Deus).

Maria foi escolhida para ser a Mãe de Jesus Cristo e nós sabemos que Jesus tem duas naturezas: a divina e a humana, porém há uma só Pessoa: a divina. O Dogma da Divindade de Jesus (Jesus é Deus verdadeiro de Deus verdadeiro, gerado, não criado, consubstancial ao Pai) já tinha sido proclamado no 1º Concílio de Nicéia (1º ecumênico), em 325, que condenou o Arianismo como heresia. Esta doutrina, defendida por Ário, ensinava que Jesus não era Deus. Dalí surgiu o “Símbolo Niceno”.

Mesmo depois do 1º Concílio de Constantinopla (2º Ecumênico), em 381, que reafirmou as definições daquele Concílio sobre a divindade de Jesus e declarou a divindade do Espírito Santo, o Arianismo e o Macedonismo ganharam novos seguidores. Este último, defendido por Macedônio, ensinava que o Espírito Santo não era Deus, mas “criatura” de Deus. Desse Concílio surgiu o novo Símbolo “Niceno-Constantinopolitano”.

Porém, Nestório, Patriarca de Constantinopla, acreditava que Jesus tivesse duas naturezas, mas constituindo duas Pessoas: a Pessoa divina e a Pessoa humana. Então, negou que a Virgem Maria fosse Mãe de Deus, pois para ele Maria seria apenas Mãe do “homem” Jesus Cristo.

Diante da doutrina defendida por Nestório (Nestorianismo), o Papa São Celestino convocou o Concílio de Éfeso (431), o qual condenou-a como heresia, tendo a Igreja definido que Maria é Mãe de Deus, por ter engravidado por obra do Espírito Santo e dado à luz a Jesus Cristo. Portanto, Maria é verdadeiramente a Mãe de Deus porque é Mãe de Jesus, que é Deus, consequentemente, é Mãe da Igreja e nossa Mãe. A Igreja afirma este Dogma desde sempre e o definiu solenemente, sendo seu grande defendor São Cirilo, Bispo de Alexandria, representante do Papa no Concílio.

Atribui-se ao Papa São Celestino a introdução da segunda parte da Oração Ave-Maria [v]: Santa Maria, Mãe de Deus, rogai por nós, pecadores, agora e na hora de nossa morte!

O Concílio Vaticano II menciona esta verdade com as seguintes palavras: "Desde os tempos mais antigos, a Bem Aventurada Virgem é honrada com o título de Mãe de Deus, e cujo amparo os fiéis dão com suas súplicas em todos seus perigos e necessidades" (Constituição Dogmática Lumen Gentium ‘LG’, 66) [vi].

2º Dogma: VIRGINDADE PERPÉTUA

Este Dogma refere-se a que Maria, Mãe de Deus, foi Virgem antes, durante e perpetuamente depois do parto, ou seja, conservou plena e perpetuamente sua Virgindade e está fundamentado em Mt 1, 18-20.

Isso se explica porque Jesus foi concebido no seio da Virgem Maria pelo poder do Espírito Santo, sem a intervenção humana: “O Espírito Santo descerá sobre ti” (Lc 1, 35). Jesus é Filho de Deus, segundo a natureza divina, e Filho de Maria, segundo a natureza humana, mas propriamente Filho de Deus nas duas naturezas, havendo Nele uma só Pessoa: a divina (CIC, 496-498; 503).

Essa doutrina já estava dogmatizada desde o cristianismo primitivo e o Papa Paulo IV reafirmou-a na Constituição Cum Quorundam, de 07.08.1555, no Concílio de Trento (1545-1563), a qual expunha a virgindade de Nossa Senhora não apenas em aspecto moral, mas em sentido pleno e perpétuo. Aliás, esse concílio foi convocado pelo Papa Paulo III e, devido às guerras, teve a longa duração de 18 anos; seu objetivo maior foi assegurar a unidade da fé.

A liturgia da Igreja celebra Maria como a 'Aeiparthenos' (Sempre-Virgem) (CIC, 499) e o Concílio Vaticano II diz: "Esta é a Virgem que conceberá e dará à luz um Filho, cujo nome será Emanuel" (LG, 55).

3º Dogma: IMACULADA CONCEIÇÃO

Este Dogma foi proclamado pelo Papa Pio IX, em 08 de dezembro de 1854, na Bula Ineffabilis Deus e consiste em que a Virgem Maria foi preservada imune da mancha do pecado original, desde o primeiro instante de sua concepção, pela graça de Deus, conforme se vê declarado, pronunciado e definido:

A beatíssima Virgem Maria, no primeiro instante da sua Conceição, por singular graça e privilégio de Deus onipotente, em vista dos méritos de Jesus Cristo, Salvador do gênero humano, foi preservada imune de toda mancha do pecado original. (CIC, 491)

Isso quer dizer que Maria foi concebida sem pecado, visto que o próprio Espírito Santo a modelou, e permaneceu pura de todo pecado pessoal ao longo de toda a sua vida, preservada de qualquer concupiscência, ou seja, em nenhum momento ela perdeu a graça de Deus. Ela foi a primeira redimida por Cristo, foi salva antes mesmo que Jesus nascesse, pois Deus quis que a encarnação fosse precedida pela aceitação daquela que era predestinada a ser Mãe de Jesus (LG, 56).

Ao dar o seu “sim” (Lc 1, 38), respondendo com “obediência de fé”, Maria livremente abraçou a vontade de Deus, consagrando-se totalmente como serva do Senhor à pessoa e obra de Jesus Cristo, servindo sob Ele e com Ele. Para poder dar o consentimento na palavra divina era preciso que ela fosse totalmente movida pela graça de Deus (CIC, 490-494). Desta maneira, com livre fé e obediência, ela coopera com a salvação humana, como afirmam os Santos Padres.

4º Dogma: ASSUNÇÃO

Este Dogma foi proclamado pelo Papa Pio XII, em 1º de novembro de 1950, na Constituição Apostólica Munificentissimus Deus e consiste em que a Mãe de Deus, Imaculada e sempre Virgem, cumprido o curso de sua vida terrena foi assunta em corpo e alma à glória celestial, ou seja, foi levada de corpo e alma pelos anjos de Deus, conforme declarado, pronunciado e definido no § 44: “A imaculada Mãe de Deus, a sempre virgem Maria, terminado o curso da vida terrestre, foi assunta em corpo e alma à glória celestial.” [vii]

Ressalte-se que a Virgem Maria foi assunta ao céu imediatamente após finalizar sua vida terrena, com todas as qualidades próprias dos corpos gloriosos, não tendo seu Corpo sofrido nenhuma corrupção, conforme se depreende:

A Imaculada Virgem, preservada imune de toda a mancha da culpa original, terminado o curso da vida terrestre, foi assunta em corpo e alma à glória celeste. E, para que mais plenamente estivesse conforme a seu Filho, Senhor dos senhores e vencedor do pecado e da morte, foi exaltada pelo Senhor como Rainha do Universo. (LG 59)

Finalmente, o Catecismo da Igreja Católica ressalta: "A Assunção da Virgem Maria é uma participação singular na Ressurreição do seu Filho e uma antecipação da ressurreição dos demais cristãos” (CIC, 966).

Títulos de Nossa Senhora

O Concílio Vaticano II enumera os seguintes títulos invocados à Bem Aventurada Virgem Maria (LG 62): Advogada, Auxiliadora, Adjutriz, Medianeira.

minha fé


 Creio em um só Deus  Pai Todo-Poderoso,
Criador do Céu e da Terra;
de todas as coisas visíveis e invisíveis. 
Creio em um só Senhor, Jesus Cristo, Filho Unigênito de Deus,
nascido do Pai antes de todos os séculos:
Deus de Deus, Luz da Luz, Deus verdadeiro de Deus verdadeiro, gerado, não criado,
consubstancial ao Pai.  Por Ele todas as coisas foram feitas.
E por nós, homens, e para nossa salvação,
desceu dos céus e se encarnou pelo Espírito Santo, no seio da Virgem Maria, e se fez homem. 
Também por nós foi crucificado sob Pôncio Pilatos;
padeceu e foi sepultado. Ressuscitou ao terceiro dia, conforme as Escrituras,
e subiu aos céus, onde está sentado à direita do Pai. 
E de novo há de vir, em sua glória, para julgar os vivos e os mortos; e o seu reino não terá fim.
Creio no Espírito Santo, Senhor que dá a Vida e procede do Pai e do Filho;
e com o Pai e o Filho é adorado e glorificado: ele que falou aos profetas. 
Creio na igreja una, santa, católica e apostólica.
Professo em um só batismo para remissão dos pecados.
E espero a ressurreição dos mortos e a vida do mundo que há de vir. Amém!